a Luta Pela Soberania
Livro: Quando as Corporações Regem o Mundo
Por: David C. Korten
Vaqueiros numa Espaçonave
O autor coloca que o mesmo homem que no século XX faz viagens à lua também gera uma tríplice crise humana:
| Aumento da pobreza; | |
| Desintegração social; | |
| Destruição ambiental. |
A classe média está se retraindo, desemprego aumentado, gerando fome, doenças e falência social com criminalidade, drogas, estupros, espancamentos, suicídios, etc., o indivíduo fica marginalizado e se afasta da sociedade e da família (divórcios). Porém, tudo que se quer é uma família estável, que possa sobreviver com dignidade.
Boulding - 1968 - diz que o problema resulta do nosso comportamento de vaqueiros num espaço sem fronteiras, quando, na realidade, habitamos uma nave espacial com um sistema de suporte de vida em precário equilíbrio.
Vida de vaqueiro: Recursos inesgotáveis, trabalho ilimitado e buscam a própria fortuna.
Vida de astronauta: Recursos limitados, reciclam excedentes para manter o equilíbrio e saúde física e mental.
Esta economia de vaqueiro está causando sobrecarga dos sistemas de manutenção da vida, criando competição entre os membros mais poderosos e mais fracos da espaçonave chamada terra.
O mundo está lotado, com previsão de dobrar a população nos próximos 35 anos, atingindo níveis próximos a 13 bilhões de habitantes que viverão na pobreza, sendo que a capacidade seria de aproximadamente 2 bilhões para manter o equilíbrio e o homem sobreviver aqui com recursos abundantes enquanto o sol brilhar.
A fadiga ambiental é função direta do consumo humano, que gera lixo e não está sendo escoado, causando chuvas ácidas, desertos, diminuição das florestas, oxidação, salinização e erosão dos solos, abertura da camada de ozônio, etc..
O consumo dos recursos naturais, é causado em aproximadamente 80% pelos 20% mais ricos e os outros 20% pelos 80% mais pobres da população mundial, porém os ricos detém o poder e mandam o lixo para longe. A desigualdade de renda não pode ser motivo para não conscientização e preocupação ambiental, pelo contrário, todos vivem aqui e dependem daqui, e se continuar assim, não está distante o dia em que os recursos naturais se esgotarão.
O crescimento da ilusão se caracteriza na crença de que o crescimento econômico é a chave para satisfazer as necessidades humanas, mas a distribuição da produção não deveria ser feita em conformidade com a renda per capita pois as necessidades de higiene, alimentação e boa saúde, são comuns a todos e se traduzem em longa vida para os homens e para o ecosistema.
Os relacionamentos econômicos precisam ser reestruturados para focalizar 2 prioridades:
Os interesses corporativos precisam ser voltados ao ser humano para que o equilíbrio precário seja fortalecido, sob pena de o homem extinguir a si próprio.
Talvez, agora a consciência humana de um modo geral, esteja se voltando para o problema do ecosistema, pois começam a sentir os efeitos, as consequências do que vieram fazendo estes anos todos.
A Luta pela Soberania
As corporações tem interesse em aumentar seu poder, cada vez mais, e seus interesses estão entrelaçados com interesses dos ricos que acabam confundindo o porque as corporações existem e colocam os interesses pessoais (dos ricos) acima dos interesses das corporações e consequentemente acima de toda a sociedade.
A força das corporações surge da combinação da competição de mercado, da demanda aos mercados financeiros e dos esforços dos indivíduos.
As corporações são controladoras e dominantes e lutam com o povo pela soberania. Normalmente fazem alianças abusivas com os governantes.
Para reequilibrar o planeta, precisamos reconquistar o poder que já entregamos às corporações que deveria ser uma instituição voltada aos interesses humanos, mas tem ideologias de livre mercado, desintegração social e ambiental.
Enquanto se acreditar que o crescimento econômico, a globalização econômica, privatizações, interesses pessoais de lucros, comportamento competitivo, levam o ser humano ao progresso, baseado em consumismo, estaremos reforçando o poder das corporações e destruindo o nosso ecosistema. Devemos pensar em criar mercados que funcionem dentro de uma estrutura de responsabilidade pública e troca equilibrada.
A aliança libertária das corporações é feita entre os racionalistas econômicos, liberais do mercado e membros da classe corporativa. As corporações formam-se entidades à parte dos indivíduos e divergem os interesses humanos dos corporativos.
O ideal de Adam Smith era um mercado composto de pequenos compradores e vendedores, não com grandes monopólios, com governos e corporações dificultando o progresso.
Hoje se acredita no crescimento infinito relacionado ao libertarismo corporativo e que os direitos do indivíduo estão relacionados à liberdade de mercado e ao direito da propriedade.
Com o fim da União Soviética, as corporações ocidentais entraram no mercado, levando o consumismo até eles. O ocidente está se tornando dependente de corporações isoladas e irresponsáveis.
O mercado deveria ser feito com competição honesta, não tendo vencedores e nem perdedores que saem do mercado, nem grandes monopólios. Deveria ser feito com confiança nos negociadores e os bens deveriam ser feitos para todos a preços de custo real, com uma distribuição mais justa e tentando restabelecer o equilíbrio da natureza.
Precisamos pensar num equilíbrio criativo para criar sociedades sensíveis à ecologia, jogando com regras diferentes onde todos arquem com os custos devidos, fazendo trocas necessárias e de acordo com o ecosistema.
Não podemos continuar a ser governados por poucos que vivem isolados da realidade do dia a dia, não preparados para definir interesses públicos, porque se forem esgotados os recursos no mundo, não saberão outra maneira de viver, e enquanto no poder, despreocupados com os problemas criados pelas corporações relacionados ao ecosistema.