- Alguns intelectuais franceses, como Paul Virilio e Baudrillard vem criticando duramente a Internet, apontando para a emergência de um cyberfascismo e de uma cultura de superexcitados que estariam substituindo os antigos superhomens. Como o sr. se posiciona frente a essas críticas?

Lévy - Esses intelectuais fazem parte de
uma época em que uma casta de homens cultos detinha o monopólio do saber e do conhecimento. A Internet é uma prova contundente de que eles perderam o poder que detinham. Temos informação e conhecimento disponível, hoje, numa escala, que para eles é desmedida.

Eles não são mais os meios privilegiados de transmissão do conhecimento. No entanto, tenho certeza de que não entendem nada de Internet. Virilio nunca viu um correio eletrônico na vida! Suas críticas são críticas de quem está apavorado com a nova realidade. Navegar é deixar-se levar pela rede. É essa liberdade que intelectuais como Virilio identificam com a barbárie e não podem tolerar.

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